“Vê se pára esse batuque!
Não dá”
Se você já passou por essa situação, quando a sua mão ganha vontade própria e sai batucando em qualquer superfície que encontrar, saiba que há nome para seu caso. É Mal de Percussion. O nome foi tirado de uma peça do percussionista Abondanza Kulhmann, que inspirou música de mesmo nome de Kiko Dinucci e Douglas Germano. Muita gente nova?
Pois é, o mal de percussion está contaminando São Paulo, manifestando-se em sua melhor forma sambística. À frente disso tudo, está Kiko Dinucci, que acaba de ganhar o primeiro lugar de melhores cordas acústicas no Prêmio Uirapuru de Música Brasileira. Onde Kiko encosta, com uma voz à Chico Buarque e um violão que se passa por baixo e percussão, sai som. Basta conferir a agenda do músico para este mês de abril: tocará em São Paulo com quatro formações diferentes.
Uma ótima oportunidade para quem quer explorar um rico universo produtivo aqui de São Paulo, que chega ao público pelo selo independente Desmonta. Conheça esse pessoal e escolha o seu samba!
Metá Metá: Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França. Os três nomes, há pouco desconhecidos para mim, me revelaram toda essa produção pouco explorada pela mídia. Na bela voz de Juçara Marçal (que gravou o CD Padê com Kiko) , o trio resgata o Brasil africano. Um samba com pitadas de jazz, trazidas pelo sax de Thiago França. O resultado, porém, passa longe da Bossa Nova. É som é alto e muito vigoroso.
Duo Moviola: este é meu preferido. Kiko juntou-se à Douglas Germano. Os dois compostores, por sua vez, uniram o cinema à música e criaram o Duo Moviola. As letras carregam muitas imagens e personagens que surgem ao meio de muito bom-humor. Até a lendária loira do banheiro aparece por aqui.
Bando Afromacarrônico: esse é para quem quer, de fato, sair sambando. No som do sexteto, que conta também com Douglas Germano, há jazz, há lundu, há tango e ritmos caribenhos, tudo resultando em um samba moderno e bem paulista, na tradição de Adoniran Barbosa e na inovação de Itamar Assumpção. O grupo nos mostra, como diz em Roda de Sampa, que “a paulicéia ainda pode cantar”.