“This is really happening, happening…”
Costumo hesitar quando brinco de escolher qual é a maior banda dos anos 90. Mas naquele domingo, em meio àquele coro de 30 mil vozes à capela, entoando o final de Paranoid Android como um hino e desarmando até mesmo o gélido Thom Yorke, tive vontade de me render e aceitar. “Tá bom, vai. O Radiohead é mesmo a maior banda dos anos 90. E dos anos 2000. E de qualquer outra década que vier”.
Para muitos ali, assistir o Radiohead ao vivo era um sonho que já durava mais de 10 anos. No entanto, parece que não havia melhor momento para o desejo se concretizar. Com uma super elogiada turnê de um de seus melhores discos, a banda inglesa aportou por aqui para mostrar um show impecável, com uma bela produção visual – apesar de relativamente simples – e um setlist de mais de 2 horas e 25 músicas (no papel, pelo menos).
E como se trata de um espetáculo extremamente técnico, o que faz a diferença entre um show e outro é mesmo o setlist. E este, talvez, seja o único ponto de controvérsia. Os fãs de Ok Computer (1997), por exemplo, foram presenteados com Karma Police, Lucky e Exit Music (esta, sob um silêncio sepucral). Mas, certamente, há aqueles sentiram falta de No Surprises e Airbag, canções que rolaram no Rio.
O último disco, In Rainbows (2008), foi executado na íntegra, com destaque para Jigsaw Falling Into Place, que fez uma dobradinha linda com Idioteque (minha favorita do show). Seqüência à altura só com o já citado final apoteótico de Paranoid Android seguido “apenas” de Fake Plastic Tree. E, no final das contas, esses grandes clássicos são mesmo os que mais emocionam. Ou será que alguém desejava melhor música para encerrar o show do que Creep?
Agora sim, estava tudo em seu devido lugar. Como uma utopia. Como deveria ter sido. E o sonho, enfim, virou lembrança.