show_ Just a Fest (Parte 2)

“This is really happening, happening…”


Costumo hesitar quando brinco de escolher qual é a maior banda dos anos 90. Mas naquele domingo, em meio àquele coro de 30 mil vozes à capela, entoando o final de Paranoid Android como um hino e desarmando até mesmo o gélido Thom Yorke, tive vontade de me render e aceitar. “Tá bom, vai. O Radiohead é mesmo a maior banda dos anos 90. E dos anos 2000. E de qualquer outra década que vier”.

Thom YorkeSe eles são tudo isso ou não, na verdade, não importa. Mas que quem esteve na Chácara do Jockey, no dia 22 de março de 2009, presenciou um evento histórico, disso eu não tenho qualquer dúvida.

Para muitos ali, assistir o Radiohead ao vivo era um sonho que já durava mais de 10 anos. No entanto, parece que não havia melhor momento para o desejo se concretizar. Com uma super elogiada turnê de um de seus melhores discos, a banda inglesa aportou por aqui para mostrar um show impecável, com uma bela produção visual – apesar de relativamente simples – e um setlist de mais de 2 horas e 25 músicas (no papel, pelo menos).

E como se trata de um espetáculo extremamente técnico, o que faz a diferença entre um show e outro é mesmo o setlist. E este, talvez, seja o único ponto de controvérsia. Os fãs de Ok Computer (1997), por exemplo, foram presenteados com Karma Police, Lucky e Exit Music (esta, sob um silêncio sepucral). Mas, certamente, há aqueles sentiram falta de No Surprises e Airbag, canções que rolaram no Rio.

O último disco, In Rainbows (2008), foi executado na íntegra, com destaque para Jigsaw Falling Into Place, que fez uma dobradinha linda com Idioteque (minha favorita do show). Seqüência à altura só com o já citado final apoteótico de Paranoid Android seguido “apenas” de Fake Plastic Tree. E, no final das contas, esses grandes clássicos são mesmo os que mais emocionam. Ou será que alguém desejava melhor música para encerrar o show do que Creep?

Jonny GreenwoodAliás, este momento foi a grande surpresa da noite. Não pela música em si – que já tinha aparecido nos sets do México e do Rio – mas pelo modo como ela veio. Após dois bis e 25 músicas tocadas, o palco ficou vazio novamente e os canhões de luz do alto do palco baixaram, como se estivessem sendo recolhidos. “Acho que Everything In Its Right Place foi a última mesmo”, pensei. O título desta canção, no entanto, ainda não refletia unanimemente o sentimento do público presente ali, que não arredava o pé. Todos sabiam, faltava aquele detalhe. Mas, será que eles voltam? O roadie afinando a guitarra de Greenwood entregou a resposta. Três (três!) bis. “Guess what this is?”, brincou Thom Yorke, de volta ao palco. O final perfeito.

Agora sim, estava tudo em seu devido lugar. Como uma utopia. Como deveria ter sido. E o sonho, enfim, virou lembrança.

“Rain down, rain down…”
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2 Respostas

  1. Obrigada pelo texto, Dudu!

    Me fez voltar a incrível sensação que tive durante o show. :)
    Não vou falar muito sobre porque tenho medo de depois só lembrar de palavras, prefiro ficar ainda no “meu… foda”.

  2. Você sabe que sua afirmação do começo pode gerar polêmica, neh? – Mas tenho que confessar que lá no meio da pista, na empolgação, até EU pensei o mesmo que você (o meu lastfm me entrega).

    É tão bom ir no show de uma banda no auge, né?

    PS: Não tinha visto o novo layout. Ficou demais! Adoro brincar de descobrir qual é o CD.

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