Os quatro cariocas “sentimentais” e os quatro “robôs” alemães
Se, por um lado, o Just a Fest – vulgo “o show do Radiohead no Brasil” – ficou marcado pelos problemas de organização (que não me afetaram, por sorte), no que se refere à música, o público pôde deixar a Chácara do Jockey, naquele domingo nublado, como saídos de uma terra dos sonhos.
Um line-up imponente, dois bons shows de abertura e um final de noite para ficar marcado na história.
Neste post, trago a primeira parte da nossa cobertura do festival, com o “retorno” do Los Hermanos e a apresentação do lendário Kraftwerk.
A resenha do Radiohead – show que também já tinha virado “lenda”, após mais de uma década de espera – vem em breve.
• Los Hermanos
O show do Rio – que, dizem as más línguas da internet, foi bem fraco – havia me deixado com um pé atrás em relação a esse “retorno” do Los Hermanos.
Por causa disso, talvez, a apresentação na Chácara do Jockey foi até surpreendente. A banda parecia se divertir em cima do palco (com direito a palhaçadas do Amarante) e, apesar de não serem eles a atração mais esperada do dia, foram bem aplaudidos pelo público.
O setlist variou bastante entre os três últimos álbuns do grupo, mas não contou com nenhuma música do disco de estréia – a despeito dos gritos dos fãs por Pierrot. Conversa de Botas Batidas foi outra música que fez muita falta ao repertório. O ponto alto ficou para a reta final da apresentação, com a trinca Último Romance, Sentimental (que se confundiu com o choro desesperado da menina de cabelo rosa ao meu lado) e A Flor.
Se este foi o último show da história da banda, os quatro “hermanos” podem dormir tranqüilos. Fizeram um bom trabalho.
Los Hermanos – Sentimental (Just a Fest_SP)
• Kraftwerk
Tudo que conhecia sobre o Kraftwerk era sua fama e quase nada mais. Sabia a respeito de seu vanguardismo, de suas elogiadas performances e de sua influência sobre muitas coisas que vieram depois deles – inclusive o próprio Radiohead. A música em si tinha escutado pouquíssimo e aqueles barulhinhos gravados há mais de 30 anos ainda soavam experimentais demais até mesmo para meus ouvidos do século 21. Por tudo isso, a apresentação no Just a Fest era uma boa oportunidade para eu entender melhor qual era a desses alemães.
E posso dizer que o que vi, naquele palco, fez jus à lenda.
Definindo em uma palavra, diria que o show deles é impactante. É difícil manter-se indiferente àqueles quatro caras imóveis diante de suas “mesinhas tecnológicas” (que eu muito queria saber como funcionam), apesar deles parecerem completamente indiferentes a nós. O som eletrônico dos sintetizadores, aliado às imagens e efeitos visuais dos telões, ganha vivacidade e te faz viajar pelas temáticas questionadoras das músicas. Sem contar com os tão falados robozinhos que substituem os integrantes reais do grupo em The Robots.
Mas, acima de tudo isso, o mais interessante ali era saber-se diante de um capítulo tão essencial na evolução da música pop. Capítulo ainda mais louvável se imaginarmos, após assistir a um show desses, tudo isso transportado lá para 1970, quando o Kraftwerk foi formado – e o hard rock dominava as paradas e o punk ainda estava apenas em gestação.
Experimental demais? Talvez. Mas, no final das contas, há de se respeitar.
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Calma, que a noite não acabou por aí! Já, já, a segunda parte desse post, com aquele show onde o público cantou Paranoid Android para o Radiohead ouvir. Aguarde!
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Não pode ser o último, de novo não! hahahaha
:(