show_ A bossa-punk francesa

Grupo francês traz pitadas de Bossa em show que não é para banquinho e violão

por Felipe Viveiro*

Ouvindo os dois álbuns lançados até agora pelo grupo francês Nouvelle Vague, eu imaginava que o show deles fosse algo intimista e calmo, com o público apreciando as lindas vozes das cantoras (e também um cantor) e arranjos musicais. Bom, isso foi puro engano meu, o show não teve nada de parado.

O Nouvelle Vague é um projeto de Marc Collin e Olivier Libaux. No seu primeiro álbum, Nouvelle Vague, os dois rearrajaram clássicos pós-punk e new wave em ritmos de bossa nova (de acordo com Marc Collin, ele imaginava “uma garota brasileira cantando Love will tear us apart sobre uma praia no Rio nos anos 60″) . Com as vozes de novas e talentosas cantoras, sendo Camille a mais famosa delas, o grupo alcançou incrível sucesso.

O êxito do álbum levou à realização do segundo trabalho, Bande à Part, com várias alterações entre cantoras, característica sempre presente no coletivo francês, e com o uso de ritmos caribenhos e reggae em suas covers. Esse álbum atingiu novamente um bom reconhecimento e fez seu show viajar pelo mundo inteiro.

Bom, isso leva à apresentação feita por eles em Porto, Portugal, onde têm um grande público. A formação que se apresentou aqui trouxe a já veterana cantora da banda, Mélanie Pain, o cantor das Antilhas Gerald Toto e as duas novas cantoras do grupo, Nadeah e Marianne Elise. Gerald Toto e Mélanie Pain fizeram dois “shows de abertura”, apresentando canções próprias. Gerald é um cantor e violonista incrível, sempre dançando e fazendo brincadeiras com o público. Sua voz fica entre o masculino e o feminino (realmente me lembrou um pouco Gilberto Gil) e prende a atenção da platéia com imensa facilidade. Mélanie, por outro lado, parece uma boneca no palco e tem uma voz que impressiona, tão suave que é.

(In a Manner of Speaking)

O show do Nouvelle Vague em si começou com as duas novas cantoras e, apesar de demorar um pouco para aquecer, a cover de Dancing with myself realmente levantou o público português. É realmente difícil ficar parado com a energia que sai do palco, principalmente por Nadeah, que misturava uma voz poderosa com uma sensualidade acelerada, nunca parada no palco. A partir daí, os cantores se alternaram no palco, sozinhos, em dupla ou todos juntos, acabando por ter uma ótima variação que nunca deixa o público se cansar. Momentos como quando Nadeah puxou mais de 20 pessoas para o palco e dançou no meio delas em Too drunk too fuck ou quando parecia estar sendo exorcizada em Bela Lugosa’s dead deixaram o público de boca aberta.

Com um set-list bastante comprido e tocando quase todos principais sucessos da banda (como Love will tear us apart, In a manner of speaking), o show foi perfeito para os fãs que lotaram o Teatro Sá de Bandeira, que esperam um (provável) retorno do grupo no ano que vem.

***

Felipe Viveiro é, além de meu irmão, nosso temporário correspondente internacional. Estudante de engenharia na Universidae de Porto por seis meses, Felipe viaja pela Europa seguindo suas bandas preferidas. Razorlight, Cold War Kids e Franz Ferdinand fizeram parte de sua agenda musical.

2 Respostas

  1. Legal!!! Bem-vindo e escreva sempre que puder.

  2. [...] “A bossa-punk francesa” – Nouvelle Vague em Porto, Portugal, 2008 – por Felipe Viveiro [...]

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