show_ Pop Montreal (parte 2): Horse´s Ha e Yo La Tengo

Yo La Tengo

Horse´s Ha foi a banda escalada para a abertura do show do Yo la Tengo no Pop Montreal. Uma apresentação intimista e agradável, mas que poderia ter caído no esquecimento com o que viria depois.

O nome do grupo, e do cd que vieram apresentar, Of the Cathmawr Yards, foram tirados do conto “The Horse´s Ha”, de Dylan. Não o Bob, mas outro grande poeta, Dylan Thomas, este do outro lado do Atlântico. Apesar de estarem baseados em Chigago, o som do The Horse´s Ha também está mais para aquele lado, reavivando, no pop, o tradicional folk britânico.

A vocalista Janet Beveridge, sempre com um instrumento diferente na mão, e o também vocalista e violonista Jim Elkington evocam o folk com um belo contraste de voz. E a cozinha, com a bateria e o baixo-acústico, acrescentam uma pegada mais jazz, meio bossa nova até. Um som rico, criativo, mas um pouco morno para uma noite de rock.

Bem, isto enquanto o violoncelista Fred Lonberg-Holm ainda estava tímido no canto do palco. Aclamado no mundo do jazz, mesmo com um instrumento não muito convencional para o estilo, Lonberg acrescenta uma cor muito brilhante à música. Mas, quando deixa o arco de lado, ele realmente rouba a cena com furiosos solos dedilhados, antecipando o rock que estava por vir.

Yo la Tengo

Botões. Aquelas coisinhas coloridas que, apesar das dimensões pequenas, chamam muita atenção. É um montinho dessas peças, aparentemente inofensivas, que estavam no telão atrás do Yo la Tengo (e também na contra-capa do cd que vieram apresentar), uma banda de três botões.

Apenas três. Mas três que tocam juntos há 17 anos e deixam todo esse tempo transparecer no som. Ira Kaplan no vocal e na guitarra, Georgia Hubley na bateria e James McNew no baixo. Bem, isso no começo do show. Durante o apresentação, eles mudam de posição e te surpreendem no instrumento que quiserem. Georgia canta “When it´s dark” com uma voz que fica à beira de se despedaçar. Um pouco depois, em “I Heard Her Call my Name” (do Velvet Urderground), quase destrói a guitarra do marido, Kaplan, está nas baquetas. Nesse momento é McNew que canta. Este se alterna entre o baixo e a guitarra, mas também faz um duo com Georgia na percussão mais adiante. Isso tudo sem nenhuma pose. Não precisam.

E dá muito gosto de ver. Um som muito pensado e medido. Os backing vocals na altura certa, a voz de Kaplan, propositalmente mais baixa, se misturando com os intrumentos . Mas o perfeccionismo não inibe nenhum sentimento. Basta olhar para o vocalista, que, de olhos sempre fechados, nunca vai lhe devolver o olhar.

A banda não cai na comodidade de rolar no sucesso já conquistado e toca principalmente as músicas do último álbum, Popular Songs, o 12ºdeles. O show começa um pouco sombrio, com “Our Way to fall” e “Stars”. Mas os três dão um show de versatilidade. Passam para músicas calmas e fofas, como “Nothing to Hide”, e depois entram em clima de sexta-feira noite com um rock mais agitado e solos que fazem Kaplan se contorcer na guitarra.

Sempre mudando o som, aquilo não cansa. Você torce para que nunca acabe, e eles ouvem o pedido e voltam duas vezes para o palco. Não é um show para pular, nem dá tanta vontade de cantar junto, basta ver aquilo tudo,  aquela mágica de três pessoas.

Horse´s Há

Horse´s Há foi a banda escalada para a abertura do show do Yo la Tengo no Pop Montreal. Uma apresentação intimista e agradável, mas que poderia ter caído no esquecimento com o que viria depois.

O nome do grupo, e do cd que vieram apresentar, Of the Cathmawr Yards, foram tirados do conto “The Horse´s Há”, de Dylan. Não o Bob, mas outro grande poeta, Thomas Dylan, este do outro lado do Atlântico. Apesar de estarem baseados em Chigago, o som do “The Horse´Há” também está mais para aquele lado, reavivando, no pop, o tradicional folk britânico.

A vocalista Janet Beveridge, sempre com um instrumento diferente na mão, e o também vocalista e violonista Jim Elkington evocam o folk com um belo contraste de voz. E a cozinha, com a bateria e o baixo-acústico, acrescentam uma pegada mais jazz, até meio bossa nova até. Um som rico, criativo, mas um pouco morno para uma noite de rock.

Bem, isto enquanto o violoncelista Fred Lonberg-Holm ainda estava tímido no canto do palco. Aclamado no mundo do jazz, mesmo com um instrumento não muito convencional para o estilo, Lonberg acrescenta uma cor muito brilhante à música. Mas, quando deixa o arco de lado, ele realmente rouba a cena com furiosos solos dedilhados, antecipando o rock que estava por vir.

Yo la Tengo

Botões. Aquelas coisinhas coloridas que, apesar das dimensões pequenas, chamam muita atenção. É um montinho dessas peças, aparentemente inofensivas, que estavam no telão atrás do Yo la Tengo (e também na contra-capa do cd que vieram apresentar), uma banda de três botões.

Apenas três. Mas três que tocam juntos há 17 anos e deixam todo esse tempo transparecer no som. Ira Kaplan no vocal e na guitarra, Georgia Hubley na bateria e James McNew no baixo. Bem, isso no começo do show. Durante o apresentação, eles mudam de posição e te surpreendem no instrumento que quiserem. Georgia canta When its drak com uma voz que fica à beira de se despedaçar. Um pouco depois, em I Heard Her Call my Name quase destrói a guitarra do marido, Kaplan, que está nas baquetas. Nesse momento é McNew que está no vocal. Este se alterna entre o baixo e a guitarra, mas também faz um duo com Georgia na percussão mais adiante. Isso tudo sem nenhuma pose. Não precisam.

E dá muito gosto de ver. Sim, todos os elogios que a banda costuma receber são merecidos. Um som muito pensado e medido. Os backing vocals na altura certa, a voz de Kaplan, propositalmente mais baixa, se misturando com os intrumentos . Mas o perfeccionismo não inibe o envolvimento. Basta olhar para o vocalista, que, de olhos sempre fechados, nunca vai lhe devolver o olhar.

A banda não cai na comodidade de rolar no sucesso já conquistado e toca principalmente as músicas do último, e 12, álbum, Popular Songs. O show começa um pouco sombrio, com Our Way e Stars. Mas os três dão um show de versatilidade. Passam para músicas calmas e fofas, como Nothing to Hide, e depois entram em clima de sexta-feira noite com um rock mais agitado, como Ronnie, com solos que fazem Kaplan se contorcer na guitarra.

Sempre mudando o som, aquelo não cansa. E você torce para que nunca acabe, e eles respondem ao seu pedido e voltam duas vezes para o palco. Não é um show para pular, nem dá tanta vontade de cantar junto, mas só ver tudo aquilo, aquela mágica de três pessoas.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=_PsLV21KSgU

conversa_ Graveola e o Lixo Polifônico

Graveola e o Lixo Polifônico

A história começou lá em 2004, com as “rodinhas de violão e tomação de cerveja” de três amigos de faculdade. A união despretensiosa logo se revelou promissora e acabou virando coisa séria – mas não séria demais. Assim, cinco anos mais tarde, temos aqui uma animadora revelação para a música brasileira e um dos melhores discos nacionais de 2009. Esses são os mineiros do Graveola e o Lixo Polifônico (MySpace), que nesse meio tempo também deixaram de ser um trio e ganharam mais quatro integrantes. Hoje o Graveola é formado por Luiz Gabriel Lopes, José Luis Braga, João Paulo Prazeres, Yuri Vellasco, Marcelo de Podestá, Flora Lopes e Bruno de Oliveira.

O som da banda é daqueles difíceis de descrever e impossíveis de classificar. Compartilhando do pensamento antropofágico de tropicalistas e dos mangues pernambucanos, mas negando qualquer herança ou obrigação, esses mineiros buscam sua cara na diversidade de ritmos, instrumentos, vozes e assuntos. Mistura de onde, normalmente, sai o melhor da música brasileira. O resultado desta brincadeira está estampado no mosaico que forma o auto-intitulado disco de estréia do Graveola – disponível para download gratuito no site da banda. Um disco onde se encontra um pouco de samba, um pouco de MPB, um pouco de jazz e um pouco de muitas outras coisas, tudo ainda enfeitado com recortes de Mutantes, da canção popular e de letras de pagode.

Trago aqui a entrevista que fiz com a banda há algumas semanas, na verdade, um papo virtual descompromissado. Nele os integrantes Luiz Gabriel, Marcelo e João Paulo falam um pouco sobre o início da banda, as influências, o “lixo” e a “mineiridade”. A íntegra no link abaixo.

Algo dizia que aquilo que a gente fazia com tanta diversão tinha um quê de potencial.

Gosto de pensar que temos tanta informação disponível que nem sempre é preciso “criar” novas coisas.

- CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA -

 

parênteses_ O que Lester Bangs teria dito disso tudo?

Lester Bangs

Os Beatles foram acima de tudo um momento. Mas a geração deles não foi a única geração na história, e insistir em manter a brasa daqueles sonhos acesa de qualquer maneira, com a esperança de que ela voltará de alguma forma a arder novamente nos anos 80, é uma busca tão fútil quanto tentar transformar as letras de Lennon em poesia. É por aquele momento – não pelo homem John Lennon – que você está de luto, se é que você está de luto. Em última instância, você está de luto por si mesmo.

Um louco atirou em Lennon, em frente ao edifício Dakota, na noite do dia 8 de dezembro de 1980, uma segunda-feira. Três dias depois, foi com essas palavras, transcritas acima, que Lester Bangs estampou as páginas do Los Angeles Times e estapeou a cara dos milhares de leitores que ainda choravam a morte do ex-Beatle. “Thinking the unthinkable about John Lennon” chamava-se o artigo. Assim era. Lester Bangs não negava o atrevimento. Mas também não se desculpava. Nem tinha porquê, na verdade. Afinal, o negócio do rock, e de tudo que o envolve, sempre foi esse. Pensar o impensável – e dizê-lo, acima de tudo. Bangs, como crítico e músico de rock, fazia isso. Lennon também. Já em 1970, ele havia declarado, “The dream is over”, na mesma canção em que dizia não acreditar em Jesus, nem em Elvis, nem nos Beatles. Ninguém o escutou. E durante uma década, ninguém quis acordar. Até aquela noite de segunda-feira.

As deturpações e idealismos baratos, no entanto, não cessariam. Pelo contrário, tirariam dali o incentivo para se inflamarem. O artigo de Lester talvez tenha representado um último suspiro neste empenho de chacoalhar a cabeça das pessoas e, quem sabe, influenciar em um destino melhor para os anos 80, ao menos mais promissor do que aquele de desilusão que se anunciava no nascer da década. Enfim, Bangs não odiava Lennon, ele apenas sabia bem o que ex-Beatle era.

Não consigo ficar de luto por John Lennon. Eu não conhecia o cara. Mas sei bem que, depois de tudo que se fez e falou, isso é tudo que ele era – um cara. Essa recusa de seus fãs, de jamais deixá-lo ser ele mesmo simplesmente, foi por fim quase tão letal quanto seu “assassino” (e, por favor, vamos para com esse papo de “assassinato político”, e não o chamem de “mártir do rock’n'roll”). Você assistiu aos especiais de TV na terça à noite? Viu todas aquelas pessoas paradas na rua em frente ao edifício Dakota, onde Lennon vivia, cantando “Hey Jude”? O que você acha que o John Lennon real – o cínico, indolente, sarcástico, convulsivamente perspicaz e iconoclasta – teria dito disso tudo?

Assim como Lennon, Bangs não viveu o suficiente para testemunhar os desdobramentos daquela década. Morreu em 1982, aos 33 anos, após uma overdose de medicamentos – aparentemente, um acidente. Hoje, quase trinta anos depois, sabemos que as coisas não mudaram tanto assim. Lennon, os Beatles, os sonhos. E sempre alguém pronto para reavivá-los e cobrar caro pelo espetáculo; e sempre uma multidão em polvorosa pronta para consumir tudo num átimo. O que você acha que Bangs teria dito disso tudo?

Não sei o que é mais patético, as pessoas da minha geração que se recusam a deixar sua adolescência nos anos 60 morrer de morte natural ou os mais jovens, que irão arrancar e devorar qualquer pedaço, qualquer migalha de um sonho que alguém já declarou acabado há mais de 10 anos.

“Não existe ocasião melhor para conhecer Lester”, já dizia o escritor Wu Ming 1 (pseudônimo do italiano Roberto Bui), em 2004, no prefácio da edição italiana de Psychotic Reactions and Carburetor Dung, livro que reúne alguns artigos de Bangs. Wu Ming 1 se referia a situação caricatural vivenciada pelo rock e pelos rockstars nestes nossos tempos. Em 2009, sua afirmação é ainda mais compreensível. Afinal, certas coisas escritas por Lester Bangs talvez nunca tenham feito tanto sentido como agora.

Talvez os jovens sejam os mais tristes, porque ao menos os meus companheiros ainda têm alguma memória nostálgica das longas e frias lembranças que hoje eles se ajoelham para reavivar, enquanto os garotos têm que se virar com coisas tipo o show de Beatlemania e uma lista de mercadorias de consumo.

PS.: Para quem quiser conhecer mais do crítico Lester Bangs, a coletânea Psychotic Reactions and Carburetor Dung foi lançada no Brasil pela Editora Conrad, com o título Reações Psicóticas. Não é difícil de encontrar o livro por aí, na internet ou em boas livrarias. E para quem quiser conhecer o músico Lester Bangs, recomendo o disco Jook Savage on the Brazos (link nos comentários), que ele lançou em 1980, junto com a banda The Delinquents.

show_ Pop Montreal (parte 1): Tune-Yards

Pop Montreal (Tune-Yards)

O Festival Pop Montreal toma as casas de show de Montreal todo começo de outono e espalha pela cidade muita música nova, mas também artistas já bem estabelecidos. Trago neste e nos próximos posts alguns shows que vi nesta oitava edição do festival. Começo com uma cantora que, apesar de morando agora nos EUA, viu seu som crescer em Montreal. E vem nos próximos posts Yo la Tengo e Mutantes!

Tune-Yards (01/10/09)

Quanto menor e mais empoeirada for a loja de cds, mais surpresinhas existem lá dentro. Escondido atrás do balcão e de infinitos cds, sempre há alguém louco por música que encontra espaço para mais um achado. Foi no porão transformado em uma sala de shows de uma lojas como essa, Phonopolis, que conheci a voz que fez esse outono gelado ganhar cara de primavera. Não por acaso, no dia seguinte a dona dessa voz, Merrill Garbus, iria se apresentar no Museu de Arte Contemporânea de Montreal.

A apresentação do Tune-Yards, projeto desta cantora – e só dela, apesar de estar se apreentando atualmente com o baixista Nate Brenner-, é um conflito entre o moderno e o rústico. Quem estivesse se distraindo com os cds no andar de cima, provavelmente pensaria que sob seus pés havia uma dúzia de percussionistas. Acontece que Merrill Garbus, como a brasileira Cibelle (ver post anterior), também usa uma dessas tecnologias que fazem o “do it yoursef” cada vez mais presente nos dias de hoje. Ela explica, como se não fosse nada demais, que é apenas um pedal de loop. Esse pedalzinho, no entanto, é que o faz seus vários sons, gravados um de cada vez, soarem todos ao mesmo tempo.

Disso tudo sai um folk/reggae/rock um tanto lúdico. Merrill, antes de se lançar na música, apresentava teatro de fantoches, e o mundo infantil parece ter encontrado um lugar em  seu trabalho. Com a inquietação de uma criança, e lembrando a genial cantora francesa Camille, Merrill explora os sons de sua voz, da percussão e de seu ukelelê, mostrando que nenhum instrumento vem com manual. Em “Fiya”, com uma letra cheia de perguntas, Merrill canta como uma menininha. Bem, isso antes de explodir no final da música e mostrar toda a potência de sua voz, em um canto que ressalta a outra influência muito presente em seu trabalho, o som africano, mais evidente ainda na música “Hatari”.

No mesmo dia, após essa apresentação, Merrill Garbus faria seu último show como integrante da banda Sister Suvi, trio que deixou um ótimo indie rock para nós. Agora, ocasionalmente acompanhando a banda Dirty Projectors (que passará pelo Brasil no final do ano),  ela continuará sua carreira como Tune-Yards, que teve seu primeiro disco, Bird-Brains, lançado este ano. Este também só dela: feito com um simples gravador de voz e editado em Audacity. E simplesmente um dos melhores achados do ano.

Na falta de um vídeo do festival, deixo este aqui

show_ Cibelle (Sesc Vila Mariana – 17/09/09)

Cibelle

Após algumas chances perdidas, consegui, há pouco mais de uma semana, assistir a uma apresentação de Cibelle. Uma pena que ela, residindo em Londres desde 2002, faça tão raras visitas a este lado de baixo do Equador. Quando ainda não conhecia Cibelle direito, me perguntava por que raios tanto falavam sobre ela. Hoje – e, principalmente, após vê-la ao vivo pela primeira vez – percebo que ela merece bem mais. Poderia dizer que ela é a melhor cantora brasileira dessa nova geração de vozes femininas. É pouco. Cibelle é mais que isso; uma artista criativa, ousada e cativante. E, como mostrou neste seu “live programming show”, Cibelle é também uma banda inteira.

É que este não foi um show comum da cantora paulistana. Como parte da série Influências, promovida pelo Sesc, Cibelle subiu ao palco do auditório da unidade Vila Mariana – prédio que ela viu ser construído, como disse à platéia – não para apresentar seu setlist usual, mas para interpretar, solitária, canções que marcaram a sua formação musical. Em meio a um suntuoso cenário-instalação produzido pelo artista plástico Rick Castro, encontravam-se dois microfones, uma guitarra, um surdo (ou algum instrumento de percussão semelhante), sintetizadores, um laptop, um batalhão de pedais de efeitos e, no centro, apenas Cibelle, fazendo todos os instrumentos soarem ao mesmo tempo. Para isso, a cada número, a cantora sampleava, ali na hora, alguns compassos de cada som que iria utilizar e depois os reproduzia de modo contínuo, mixados. Sobre essas bases programadas ao vivo (daí o nome que se dá ao show), a voz indecorosa de Cibelle vinha completar a mágica, transformando tudo aquilo num espetáculo de hipnotismo.

A outra particularidade do show, o repertório, retratou bem o mosaico de estilos que sempre caracterizou Cibelle. Como é notório em seus álbuns, as influências da cantora são as mais diversas possíveis. De Bowie a Caymmi. De Björk a Xuxa. Sim, Xuxa. Em um dos muitos momentos de descontração do show, Cibelle encarnou a apresentadora global, em sua fase mais trash, e fez um cover moderno e escrachado de “Meu Cãozinho Xuxo”. Pura tiração de sarro. Em seguida, poderia aparecer tanto uma “Cantiga” da Bahia, quanto uma emocionante releitura de “Lá Fora Tem”, faixa do primeiro disco do Cidadão Instigado. Tudo interpretado à maneira bem peculiar de Cibelle, explorando ao máximo toda aquela parafernalha sonora que a cincurdava, para dar uma nova roupagem a cada canção. Ainda surgiriam fantásticas versões de “Lua, Lua, Lua”, de Caetano, “All Is Full Of Love”, de Björk (uma das melhores), “Hope There’s Someone”, de Antony and the Johnsons, e até uma homenagem ao recém-falecido Patrick Swayze, com “Love Is Strange”, da trilha do filme Dirty Dancing – aqui num “funk cover”.

Sem dúvida, um dos melhores shows nacionais que assisti recentemente. De uma artista que provavelmente está entre as cinco melhores coisas da nossa música que conheci nesta década que vai chegando ao fim. E os “anos 2010″ já começarão bem, com o lançamento do terceiro disco de Cibelle, o Sonja Khallecallon y Los Stroboscopicus Luminous (sim, o nome é bizarro). O trabalho contará com participações de Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Pupillo (Nação Zumbi), Owen Clark (Hot Chip), Sam Genders (Tunng), Apollo9 e, como co-produtor, Damian Taylor, que também está cuidando no próximo álbum de Björk. É esperar, que vem coisa boa. E torcer para que ela retorne em breve.

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Não lembro a ordem, mas estas foram as músicas que Cibelle cantou no show (pode ser que eu tenha esquecido alguma também):

Tom Jobim – “Por Toda a Minha Vida”
Suba – “Sereia”
Caetano Veloso – “Lua, Lua, Lua”
Joe Meek – “Love Is Strange” (trilha de Dirty Dancing)
David Bowie – “Let’s Dance” (versão do M. Ward)
Xuxa – “Meu Cãozinho Xuxo”
Antony and the Johnsons – “Hope There’s Someone”
Monty Norman – “Underneath The Mango Tree”
Björk – “All Is Full Of Love”
Cidadão Instigado – “Lá Fora Tem”
Daniel Johnston – “True Love Will Find In The End”
Dorival Caymmi – “Cantiga”
Cibelle – “Instante de Dois”

“Meu Cãozinho Xuxo”, por Cibelle